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Primeira ação do movimento "O que nos Coven"

| Formato | Datas |
| Presencial n'A Casa Tombada | 4, 5 e 6 de junho |

- Artistas
- Pessoas da educação
- Pesquisadoras
- Pessoas interessadas em memória, narrativa, corpo, processos de criação e interessadas em bruxaria contemporânea.

Apresentação
A caça às bruxas não foi apenas uma perseguição religiosa. Foi a expropriação de conhecimentos, a destruição de saberes femininos e a ruptura com modos de vida que reconheciam a natureza como viva e relacional.
Feitiçaria não é crença nem religião. É um conjunto de práticas e gestos. É um modo de resistir. Reativar a feitiçaria como tecnologia não é recuperar o passado, mas restabelecer práticas que escapam às formas de controle e produzem outros modos de existir.
Esta residência pretende ser uma travessia teórico-prática de convivência, onde filosofia e oralidade se encontram como práticas vivas de investigação e criação.
A partir da leitura crítica de arquivos inquisitoriais, especialmente o Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), e do trabalho com histórias de vida, objetos de afeto e práticas cotidianas, o percurso propõe a criação de contra-narrativas que reativam saberes historicamente silenciados.
Entre o gesto que acusa e o gesto que atribui vida, o corpo poetiza como matéria espiritualizada. A magia não aparece como prova de que o mundo invisível existe, mas como forma de narração que transforma o real em ato. Reativar a feitiçaria (reclaim) não é voltar ao passado. É reavivar as condições para que outras práticas éticas e políticas voltem a agir sobre o presente.
Objetivo geral
Produzir contra-narrativas à bruxaria inquisitorial a partir do encontro entre filosofia e biografia, reativando saberes, gestos e vozes historicamente silenciadas.
Objetivos específicos
• Construir contra-narrativas a partir das próprias biografias, ativando dimensões mágicas, simbólicas e narrativas da experiência.
• Tensionar as provocações epistemológicas da bruxaria com a reativação das vozes silenciadas nos arquivos inquisitoriais.
• Não negar o arquivo, mas virá-lo por dentro até reencantá-lo.
• Sustentar práticas de convivência e cuidado como parte do processo criativo, nutrindo o sentimento de casa.
• Reconhecer e nomear práticas de convivência e cuidado populares como formas de conhecimento, afirmando seu valor epistemológico e simbólico e rompendo com os enquadramentos que as reduzem ao folclore.
Metodologia
Articulação entre estudo filosófico, oralidade, escuta de histórias de vida, escrita, práticas corporais e criação artística.

A residência se estrutura como a criação de um covil temporário ao longo de três dias. Um espaço de convivência onde o cuidado é condição de processo criativo.
A Casa Tombada é assumida como território vivo dessa experiência. Nela, estudo, dança, alimentação, café, defumação, banho de ervas, criação biográfica, afeto, riso, ritmo e rito acontecem como práticas contínuas e atravessadas.
O covil é um lugar de elaboração coletiva. O cuidado não é pausa, mas método. Conviver torna-se, assim, uma forma de produzir conhecimento pela escuta, presença e partilha.
A alimentação partilhada na Casa Tombada faz parte do percurso, sustentando a convivência como prática de criação.

Quinta e sexta-feira (4 e 5 de junho)
Encontros pela manhã e tarde — feriado e dia útil
Sábado (6 de junho)
Tarde e noite · com apresentação final
*Presencialmente n'A Casa Tombada - Rua Ministro Godoi 333, Perdizes.
Programação
Dia 1 — O Caldeirão Epistemológico · 4 de junho
Manhã
• Defumação e corpo — Abertura sensível do encontro e preparação do corpo para a escuta.
• Narração de histórias
• Apresentação do covil — quem vem lá… — A escuta e a narração tecem um campo comum, tendo como disparador o jogo do Biografêmeas, oráculo de histórias de vida de mulheres reais. A partir da oralidade, o grupo estabelece acordos de convivência, criando um espaço vivo de relação e criação.
• Alimentação coletiva
Tarde
• Mandala epistemológica — Reconhecer o dispositivo: o Malleus Maleficarum como dispositivo histórico de produção de julgamento, controle e perseguição. (Mandala desenhada no chão com as principais bibliografias). Temas para elaboração do contra-feitiço: de onde emerge o problema da bruxaria em relação ao gênero; as sete teses que estruturam o Martelo das Feiticeiras; a Inquisição luso-brasileira; arte e bruxaria; o feitiço (e o contra-feitiço) da mercadoria.
• "Essa bruxa sou eu" — Mapeamento dos detalhes descritos no Martelo das Feiticeiras, compreendido como documento judicial de acusação das bruxarias. Análise do detalhe da descrição, observando como o texto constrói suspeitas, produz categorias e transforma saberes, conhecimentos e oralidades em práticas consideradas crimes. Reconhecimento de onde esse mesmo detalhe também habita nossas histórias de vida.
• Magia e afeto — Preparação para o descanso e espaço para decantação das experiências do dia a partir de uma automassagem com óleos naturais.
Dia 2 — O Gesto Mágico: da escrita de si à mitopoética · 5 de junho
Manhã
• Criar é lembrar — Dança e acordamentos da memória.
• Mandala epistemológica — O erótico como poder: a potência de feitiçaria.
• Conjuros: a narrativa dos objetos de afeto — Escuta e narração de memórias a partir de objetos de afeto, com atenção aos seus contextos e estruturas simbólicas, visando sua reescrita. As relações são compreendidas como teias de afetos, gestos e memórias. Objetos disparadores: agulha, tesoura, linha, panela, vassoura, martelo, colher e colher de pau, livro, instrumento musical, vaso de planta.
Tarde
• Prática mágica — Cama de ervas para preparação à escrita.
• Conjuro II: a reescrita mágica — A partir da ativação dos objetos de afeto e do mapeamento dos gestos descritos no Malleus Maleficarum, serão ativados dispositivos de reescrita de memórias. Feitiços íntimos que ampliam a realidade a partir da poética e da reconexão com os gestos herdados. Saberes ancestrais compreendidos como tecnologias de ação.
• Magia e afeto — Preparação de banho de ervas para o dia seguinte, limpeza com flores para descanso e liberar sonhos.
Dia 3 — O Feitiço da Memória como Prática de Vida · 6 de junho
Tarde
• Prática mágica — Banho de ervas e defumação da Casa.
• O espaço biográfico — Cartografar a Casa Tombada como mapa simbólico. Cada participante escolhe um espaço para realizar seu trabalho, preparando a narração da mitopoética escrita no dia anterior. Retorno ao detalhe, agora como gesto poético: Cozinha (alquimias da sobrevivência), Banheiro (ritos íntimos e espelhos), Quintal (terra, tempo e crescimento), Sala (memória pública e heranças).
Noite
• Encontros noturnos — Feitiçarias, conjuros da memória e a fabulação como ação poética.

Sandra Lessa
Sandra Lessa é doutoranda em Artes Contemporâneas pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em Portugal, onde desenvolve uma investigação sobre a Inquisição luso-brasileira, criando performances que tensionam as relações entre patrimônio material e imaterial por meio da escuta de histórias de vida e oralidades nos antigos pátios inquisitoriais portugueses. É Mestra em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas e desenvolve trabalhos que integram arte, memória e cuidado, promovendo a escuta ativa e a valorização de memórias individuais e coletivas.
Há mais de 18 anos, colabora com o Museu da Pessoa, em São Paulo, narrando histórias de vida em comunidades afastadas e contribuindo para que seus participantes se tornem protagonistas de suas próprias narrativas. Durante 16 anos, atuou junto à Associação Arte Despertar, transformando histórias de pacientes hospitalares em narrativas poéticas, experiência que resultou no livro “O Farol das Ilhas: histórias de vida para além de um hospital”.
É autora de “Biografêmeas: oráculo de histórias de vida de mulheres reais” e do artigo “Para quem Maria Padilha rezava”, finalista do Prêmio Marielle Franco em 2021.
Como performer, colaborou com Anna Maria Maiolino nas obras “É”, “In-atto” e na fotopoemação “João e Maria”. Participou ainda de espetáculos como “Memórias Impressas”, com o grupo Bartolomeu de Depoimentos, e “Remote São Paulo”, apresentado no Sesc Belenzinho. Também integrou a Estelar de Teatro, realizando apresentações no Museu Frida Kahlo, no Teatro Politeama de Ploiesti e no Festival Santiago Off.
Atualmente, Sandra é docente da pós-graduação em Narração Artística da Casa Tombada e da pós-graduação em Saúde e Estilo de Vida do Hospital Israelita Albert Einstein, onde desenvolve pesquisas e práticas relacionadas à memória, arte e cuidado. Também atua como formadora da Tecnologia Social da Memória no Museu da Pessoa.
Entre suas principais áreas de atuação destacam-se a narração artística, escuta ativa, escrita criativa, criação de performances integrativas, desenvolvimento de projetos culturais e sociais e colaboração multidisciplinar. Seu projeto recente de maior destaque, “Biografêmeas”, reúne histórias de vida de mulheres reais em formato de oráculo, livro, performance e workshops realizados no Brasil e na Europa.
Marília Pisani
Marilia Mello Pisani é professora e pesquisadora do Centro de Ciências Naturais e Humanidades, da Universidade Federal do ABC. Doutora em Filosofia, atua nas áreas de teoria crítica, ecologia e feminismos, com destaque para estudos sobre Herbert Marcuse e Donna Haraway. Desenvolve práticas pedagógicas de educação estética, agroecologia e feminismos de compostagem. Integra o PPG-Filosofia da UFABC, é líder do grupo “Nexos: teoria crítica e pesquisa interdisciplinar/ Sudeste” (UFABC) e membro do LAFITA (UFRJ). Organizou o livro Ecologia e revolução em Herbert Marcuse (Politeia, 2025).
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Mandala Bibliográfica
AUGRAS, Monique. (2009). Imaginário da magia: magia do imaginário. Petrópolis: Vozes.
BARTHES, Roland. (1971). Sade, Fourier, Loyola. Paris: Seuil.
ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
GAGNEBIN, Jeanne M. (2004). História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva.
HARAWAY, Donna J. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthuluceno. São Paulo: N-1 Edições, 2023.
KRAMER, Heinrich; SPRENGER, James. Malleus Maleficarum: o martelo das feiticeiras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2024.
LESSA, S. (2022). Biografêmeas: um oráculo de histórias de vida de mulheres reais. São Paulo: Edição da autora.
MALUF, Sônia. Encontros noturnos: bruxas e bruxarias na Lagoa da Conceição. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993.
REIS, Marcus V. (2025). As Feiticeiras do Império Português: Gênero, Relações de Poder e Inquisição (1541–1595). Jundiaí: Paco Editorial.
STARHAWK. A Dança Cósmica das Feiticeiras: o Renascimento da Consciência Espiritual Feminista e da Religião da Grande Deusa. Tradução de Mirella Faur. São Paulo: Pensamento, 2021.
Earth Path: grounding your spirit in the rhythms of natureza. NY: Harper One, 2004.
STALLYBRASS, Peter. O Casaco de Marx: memória, roupa e dor. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.
STENGERS, Isabelle; PIGNARRE, Philippe. La sorcellerie capitaliste: pratiques de désenvoûtement. Paris: La Découverte, 2005.
SOUZA, Laura M. (1986). O Diabo e a Terra de Santa Cruz. São Paulo: Companhia das Letras.
Direção d'A Casa Tombada — Centro de Estudo, Pesquisa e Experimentação em Arte, Educação e Linguagem
Profa. Dra. Ângela Castelo Branco Teixeira · Prof. Dr. Giuliano Tierno de Siqueira
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