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Sobre o curso
O país em que vivemos não nasce de um projeto colonial, se torna. E mesmo que o projeto colonial quisesse imputar um modo universal de ser no Brasil, antes já havia histórias que não puderam ser apagadas por mais que houvesse fortes investidas. Houve resistência de quem por aqui já estava antes da invasão portuguesa. Houve resistências das pessoas que foram sequestradas do continente africano para o Brasil. Pessoas que tiveram que se re-organizar e re-existir nesse território amefricano, para pensar a identidade política e cultural da população negra que vive nas Américas (Gonzalez, 2020). E, ao pensar os Valores Civilizatórios Afro-indígenas, trazer o conceito amefricanidade marca que compreendemos as vivências, as resistências e as influências africanas e indígenas na formação do Brasil.
E ter consciência do território e dos saberes produzidos nele antes da invasão colonial e após a diásporas africana e indígenas, é reconhecer que há tecnologias ancestrais que são tecidas a partir dessa história de dor e reinvenção. Estas tecnologias, nomeadas de Valores Civilizatórios Afro-Indígenas (VCAI), são o entrelaçar dos saberes desses povos diversos que aqui se encontram e sustentaram o Brasil, mesmo que a nossa “história oficial” os inviabilizassem.
O nosso curso convida a identificar os valores civilizatórios afro-indígenas como tecnologia ancestral, reconhecendo a contribuição afro-indígena na formação cultural, educacional, sócio-histórica do Brasil. Ao identificar esses valores, fundamentamos, no nosso cotidiário, práticas antirracistas legitimando e dando legibilidade às existências e resistências pluriversais construídas nesse território amefricano. Logo, pretendemos proporcionar experiências que articulem coletivamente práticas implicadas com a promoção da justiça social.
Nossas reflexões partem das pesquisas da intelectual Azoilda Loretto da Trindade, que apresenta a ancestralidade, a circularidade, a religiosidade, corporeidade, musicalidade, cooperativismo/comunitarismo, ludicidade e territorialidade como princípios éticos e existências dos povos afro-diaspóricos que tiveram que resistir e constituir outras formas de existir longe da sua terra e de seu povo. Azô, como era carinhosamente chamada, também apresentou tudo isso como uma metodologia para constituir processos educativos antirracistas. É preciso reconhecer e nomear esses valores nas nossas práticas cotidiárias, outra palavra aprendida com esta pesquisadora que nos convocava a pensar numa educação para a diversidade e o combate ao racismo que deveria ser todos os dias e não ano a ano, para isso trocou as palavras cotidiANO por cotiDIÁRIO.
Online - Via Zoom
Dias 8 e 10/07 - das 19h00 às 22h
Investimento - R$ 280,00 em até 4x sem juros
Ananda Luz
Educadora, pesquisadora e curadora. Formada em pedagogia com mestrado em Ensino e Relações Étnico-Raciais. Cursa o doutorado em Difusão do Conhecimento (UFBA-IFBA-UNEB). Atua nas coordenações coletivas da pós-graduação O Livro Para Infância e Educação e Relações Étnico-Raciais n’A Casa Tombada-SP. Realizou a curadoria da Exposição Karingana – presenças negras no livro para as infâncias no SESC – Bom Retiro. Jurada dos 30 Melhores Livros do Ano da Revista Crescer (2024, 2023, 2022 e 2021) e do Leia com uma criança do Itaú 2023. Curadora de acervos literários como o projeto Bamberê – entre livros e infâncias (SAJ, FLiMuniz e Biblioteca Comunitária Zeferina Beiru) e da Ong Vaga Lume (2022). Curadora e criadora com Jéssica Silva do projeto, Odú: Arte e Territorialidade. Foi escriba com Isabel Malzoni do livro “Eu devia estar na escola”, editora Caixote, em parceria com a Ong. Redes da Maré. É uma das autoras do livro Infâncias e Leituras – presenças negras e indígenas na literatura infantil, organizado por Márcia Licá pela editora Pulo do Gato. Foi curadora com Emília Nuñez da Flikids e é curadora da FliMuniz. Hoje está à frente dos podcasts Livros e Infâncias com Cristiane Rogerio e Coreto Sonoro com Marcus Matraca.
Jéssica Silva
Educadora, pesquisadora e artista. Historiadora, mestra em Ensino e Relações Étnico-Raciais (PPGER-UFSB) e doutora em história (PPGH - UNIRIO), instituições em que desenvolveu pesquisas sobre narrativas de pessoas negras no Extremo Sul da Bahia. Possui atuação no campo da História, Educação e Relações Étnico-Raciais, com foco em narrativas de mulheres negras na arte e educação. É professora e coordenadora da pós-graduação Educação e Relações Étnico-Raciais (com Ananda Luz), n’A Casa Tombada-SP. Cria das periferias do Extremo Sul baiano, é um corpo-movimento que busca inspiração nos lugares onde insurgiu como artista e pesquisadora. Artista em construção, escrevive narrativas escritas e audiovisuais. Diretora e roteirista do filme “Costurando a vida com fios de ferro” (2019). Idealizadora e coordenadora do Webinário Narrativas Negras. Podcaster do “Odu: Arte e Territorialidade” realizado em parceria com Ananda Luz e contemplado pela Lei Paulo Gustavo — que possui como tema central as artes no território baiano.
A Casa Tombada
Reconhecer tecnologias ancestrais e fundamentar
práticas antirracistas no cotidiário.
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